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Andamento do Programa "Cuide-se em Forma" |
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AIDS: correndo
para um tratamento com saúde
O estresse induzido pela atividade física coloca os sistemas fisiológicos em
prontidão
Qual a “dose” certa
de exercício a ser prescrita
A essência do Programa
“Cuide-se em Forma”
Dezembro é o mês
Internacional da Luta contra a AIDS. Este ano, o tema das discussões é “AIDS e
racismo”. Por isso, nada mais oportuno que divulgarmos o belo trabalho que está
sendo desenvolvido em nossa Universidade. Orgulho-me de poder contar um pouco
sobre essas batalha diária que travamos contra a AIDS e a falta de recursos para
os estudos. Mas que é recompensada pelos resultados que estamos obtendo com os
pacientes engajados e pela satisfação que se vê também no rosto de cada um de
nossa equipe, um grupo enorme de gente despojada que se preocupa com o bem-estar
das outras pessoas. Assim, quero apresentar a todos o “Cuide-se em Forma”,
um programa interinstitucional de exercício físico e pesquisa direcionados a
pacientes HIV/AIDS.
Desde a
Antiguidade, sabe-se que o exercício físico pode ser uma grande fonte de
vitalidade para o ser humano. Entretanto, somente com a sistematização dos
estudos em Fisiologia do Exercício e Medicina Esportiva durante o século XX é
que o estudo do Movimento Humano passou a estabelecer-se como Ciência. Em
decorrência destes trabalhos, os benefícios da atividade física regular passaram
a ser mais amplamente disseminados e seus mecanismos melhor compreendidos. Na
verdade, o exercício físico regular traz uma série de benefícios para o
organismo, como redução de risco para doenças cardiovasculares e manutenção da
massa corpórea em níveis seguros (a obesidade é um fator de risco importante
para várias doenças crônico-degenerativas, incluindo hipertensão arterial e
diabetes mellitus). Existe ainda uma outra peculiaridade do exercício físico:
quando em quantidade adequada, ativa o sistema imunológico, isto é, estimula o
sistema de defesa contra infecções, envelhecimento e câncer.
O estresse induzido pela atividade física coloca os sistemas fisiológicos em
prontidão
Quando se
realiza uma atividade física qualquer, vários sistemas fisiológicos atuam
sinergisticamente de maneira a manter todas as funções vitais e, ainda,
realizar a atividade em questão. Esse entrosamento entre os vários sistemas
fisiológicos permite que o sistema cardiovascular garanta quantidades adequadas
de nutrientes e oxigênio para os músculos em funcionamento, enquanto que o
sistema neuroendócrino, regula o consumo de nutrientes e a produção de
combustíveis para todos os tecidos do organismo. Sob essa óptica fisiológica, o
exercício físico pode ser considerado como um agente de “estresse” porque a
atividade física tira o organismo de uma situação de “equilíbrio de repouso” e o
coloca em cheque. Se formos olhar mais para trás, nos primórdios da evolução do
ser humano (e de muitos outros animais), esse estado de prontidão para ativar
sistemas que permitam a atividade física de modo rápido e eficiente tem a ver
com a ativação do sistema de fuga-ou-luta (sistema nervoso simpático). Assim, o
exercício físico constitui-se numa “adaptação moderna” para o velho binômio
caçar-ou-ser-caçado que é imposto pela natureza e que envolve medo, apreensão,
estado de alerta, força física. Enfim, uma situação de estresse generalizado
(psíquico e metabólico).
Como
consequência dessa resposta fisiológica e das adaptações geradas pelo estresse
induzido pela atividade física, várias alterações podem ser observadas nos
sistemas fisiológicos. E mais: quando se pratica exercícios físicos regulares, o
entrosamento intertecidual vai se aprimorando, vai se tornando crônico, de
maneira que se observa uma espécie de adaptação à carga e ao estresse induzidos
pelo exercício.
Ao
contrário do que se poderia imaginar a priori, o estresse provocado pelo
exercício físico não é uma coisa ruim. Esse estresse envolve a ativação de
sistemas de proteção que acabam ajudando o organismo a se proteger de outras
situações de estresse. Um desses sistemas é a via das proteínas de choque
térmico, HSP (do Inglês, Heat Shock Proteins). Essas proteínas são
produzidas por todas as células em situação de estresse, como estresse térmico
(febre, por exemplo) e estresses metabólicos (falta de glicose no sangue,
presença de substâncias tóxicas na célula). Com o exercício físico não é
diferente. O exercício induz produção de uma classe especial de HSP, as HSP70
que apresentam, pelo menos, dois benefícios claríssimos para o organismo (veja o
esquema ao lado): funcionam como auxiliares na ativação do sistema imunológico e
bloqueiam a replicação de vírus, incluindo os vírus da imunodeficiência humana
adquirida (HIV) que causam AIDS. Além disso, a atividade física promove
alterações no metabolismo dos músculos que passam a produzir e “despejar” na
corrente sanguínea grandes quantidades de glutamina, um aminoácido que
representa a principal fonte de energia para células do sistema imunológico. Ou
seja, quanto mais atividade física (dentro de limites fisiológicos que não
beirem o exagero), maior produção de HSP70 e mais glutamina na circulação. O
resultado dessa combinação é que o sistema imunológico fica fortalecido,
aumentando seu arsenal e poderio de defesa e contra-ataques. Paralelamente a
esses benefícios, a atividade física aumenta a potência cardiorrespiratória e
promove bem-estar físico e mental, que, por sua vez, fortalecem ainda mais a
resposta imunológica contra agentes invasores. Convém notar, entretanto, que os
extremos de atividade física são prejudiciais: enquanto a inatividade física
debilita todos os sistemas fisiológicos (incluindo o sistema imunológico), a
atividade extrema (muito intensa e de longa duração) também é prejudicial para a
fisiologia do sistema de defesa. Atividades físicas como a maratona, quando não
assistidas de perto por profissionais treinados, podem levar a um grande
desbalanço imunológico, com aumento da incidência de infecções e depressão
imunológica generalizada. Idosos (que tendem a ser mais inativos) têm maior
tendência de desenvolver infecções; pacientes submetidos a cirurgias de grande
porte tendem a ficar mais debilitados quando sujeitos a um leito de hospital por
muito tempo, razão pela qual estes indivíduos, atualmente, são encorajados a não
ficarem prostrados.
Resumindo, a
atividade física regular e controlada pode ser um grande aliado na luta contra
doenças caracterizadas pela depressão imunológica, como é o caso da infecção
pelos HIV. A questão, no entanto, é que não existem estudos conclusivos a
respeito de “quanto de exercício” se pode “prescrever” a um paciente portador de
HIV. É certo que o exercício físico melhora a função imunológica agregando
qualidade de vida às pessoas. Entretanto, se a “dose” de exercício for muito
alta para um paciente já debilitado pela presença do HIV em seu sistema
imunológico, os resultados podem ser desfavoráveis e o indivíduo pode vir a
desenvolver AIDS (a doença em si).
Qual a “dose” certa
de exercício a ser prescrita?
Nosso
Laboratório de Fisiologia Celular (FisCel) investiga o efeito da produção de
HSP70 em vários sistemas fisiológicos. Os resultados de nossos estudos mais
recentes apontam para a produção de HSP70, não apenas, como um agente de
proteção às células de maneira geral, como sugerem que a produção dessas
proteínas de defesa por leucócitos (glóbulos brancos, que fazem parte do sistema
imunológico) sirva de “marcador” para a quantidade exata de estresse que se está
impondo a um indivíduo quando submetido a uma atividade física regular. Na
verdade, dados de nosso grupo de pesquisa indicam que a HSP70 seja um
poderoso indicador da qualidade do treinamento físico que se
prescreve a voluntários humanos. Assim, nasceu o “Cuide-se em Forma”, um
programa de atividade física monitorada, especialmente desenhado para indivíduos
portadores de HIV, doentes de AIDS ou não. Nosso objetivo é provocar um certo
nível de estresse (que varia de um paciente para outro) de tal sorte que a
produção de HSP70 pelas células imunológicas fortaleça a resposta do sistema de
defesa e reduza a replicação viral. Desta forma, ao invés de atacarmos os vírus
HIV com novas drogas, buscamos melhorar a função imunológica estimulando o
combate ao HIV com a melhor ferramenta terapêutica conhecida: o próprio sistema
imunológico.
Como as pessoas
respondem de maneira diferente ao estresse induzido pela atividade física, a
carga e o tipo de exercício precisam ser ajustados individualmente, com base na
“leitura” da produção de HSP70 e de alguns outros parâmetros imunológicos
importantes. Os conhecimentos sobre a dinâmica viral e celular, a
farmacocinética dos medicamentos antirretrovirais, os mecanismos de resistência
viral e o surgimento de novos medicamentos têm permitido substanciais avanços no
controle clínico da imunodeficiência causada pelo HIV. Entretanto, a terapia
antirretroviral é um campo extremamente complexo e dinâmico e a elaboração de
recomendações terapêuticas implica em constantes reavaliações, de acordo com os
progressos científicos e com os aspectos operacionais ligados ao uso das drogas
antirretrovirais em larga escala. O objetivo é propiciar, em termos individuais,
eficácia máxima e, do ponto de vista de saúde pública, resultados condizentes
com o enorme investimento humano e material envolvidos (conforme descrito em Recomendações para Terapia
Antirretroviral em Adultos e Adolescentes Infectados
pelo HIV do Programa Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde).
A contagem
leucocitária total em seres humanos adultos normalmente varia de 4.000 a 10.000
células por mm3, sendo que, desse total, cerca de 600 a 1200 células/mm3
devem ser linfócitos T do tipo CD4+ (CD, vem do Inglês, cluster
of differentiation, isto é, um grupo de proteínas que indicam a
diferença entre as várias sublinhagens de leucócitos; assim, CD4+ significa
linfócitos do tipo T positivos para a proteína CD4). Linfócitos CD4+ são o
principal alvo dos vírus HIV e a contagem dessas células (o número de células)
tende a diminuir durante a infecção por HIV. As recomendações internacionais
para o início de terapia antirretroviral consistem em não tratar
pacientes assintomáticos (portadores não doentes de AIDS) quando a contagem de
células CD4+ for maior ou igual a 350/mm3 e considerar a
possibilidade de quimioterapia tríplice com “coquetel” antirretroviral
quando a contagem estiver entre 350 e 200 CD4+/mm3. Já os
pacientes assintomáticos com CD4+ abaixo de 200/mm3 e
pacientes sintomáticos (doentes de AIDS) devem ser tratados com coquetel
antirretroviral e quimioterapia para infecções oportunistas (tuberculose,
candidíase, herpes, toxoplasmose etc.). A quantificação da carga viral
plasmática, a velocidade de queda da contagem de linfócitos T CD4+ e a presença
de co-morbidades são aspectos adicionais que devem ser considerados durante o
período de decisão sobre o início da terapia. Entretanto, o Ministério da Saúde
é claro: “A terapia não deve ser iniciada até que os objetivos e a
necessidade de adesão ao tratamento sejam entendidos e aceitos
pelo paciente, especialmente porque dentre os fatores que podem levar à
baixa adesão, estão a ocorrência de efeitos colaterais, esquemas com
posologias incompatíveis com as atividades diárias do paciente, número elevado
de comprimidos/cápsulas, necessidade de restrição alimentar, falta de
compreensão da prescrição e falta de informação sobre as consequências da
não adesão”.
Como se vê,
apesar dos benefícios da terapia antirretroviral combinada, a não adesão ao
tratamento pode ser um fator impeditivo para o sucesso da terapia,
particularmente por causa da perda de qualidade de vida que pode acorrer
após o início do tratamento. É justamente neste ponto que a prescrição de
atividade física monitorada pode fazer toda a diferença: se o paciente passa a
melhorar a performance do sistema imunológico e a reduzir a contagem viral por
causa do exercício físico “balanceado”, a necessidade de quimioterapia anti-AIDS
tende a ser reduzida. Em outras palavras, nossa expectativa é que, com a carga
adequada de exercícios físicos, os pacientes saiam da faixa de prescrição do
coquetel antirretroviral ou, ainda, que possam ser medicados com doses menos
tóxicas de fármacos. Não se está dizendo que a terapia antirretroviral será
abolida; apenas que as expectativas, a partir de nossos resultados
experimentais, sugerem que, talvez, isso possa vir a ocorrer. Além de melhorar enormemente a qualidade de vida destes
indivíduos, a redução de doses permitiria que mais pessoas venham a ter acesso às
terapias disponíveis, já que a maior parte do esquema de tratamento é financiada
pelo serviço público de saúde que não passa por sua melhor fase em termos
orçamentários.
Os resultados
preliminares de nossos estudos mostram que os pacientes submetidos aos esquemas
de prescrição de atividade física monitorada dobraram a quantidade de linfócitos
CD4+ em menos de 6 meses, o que os coloca fora da faixa prescricional para
terapia antirretroviral. Além disso, é admirável a reinclusão social propiciada
pelo contato dos pacientes com outros portadores de HIV e com os membros da
equipe de pesquisadores e outros profissionais envolvidos. Embora os dados
obtidos sejam mantidos em sigilo, o fato de se poder discutir a doença
abertamente, pelo menos entre os membros participantes dos grupos,
desestigmatiza a doença e melhora ainda mais a qualidade de vida dessas pessoas.
A essência do Programa "Cuide-se em Forma"
O Laboratório de
Pesquisa em Fisiologia Celular (FisCel) do Departamento de Fisiologia do ICBS da
UFRGS, o Laboratório de Pesquisa em Exercício (LAPEX) da Escola Superior de
Educação Física (ESEF) da UFRGS e a Secretaria de Estado de Saúde do Rio Grande
do Sul, por intermédio de seu Laboratório Central de Saúde Pública (IPB-LACEN),
tendo em vista os interesses científicos e institucionais em comum,
estabeleceram o Grupo Insterinstitucional de Exercício Físico e Pesquisa
Direcionados a Pacientes HIV/AIDS (GEP-AIDS). A proposta da equipe do
GEP-AIDS, com a criação do Programa “Cuide-se em Forma” é estabelecer
qual o tipo e a “carga” adequada de exercício para cada faixa de
contagem de linfócitos CD4+ e carga viral com vistas à
redução da quantidade de fármacos utilizados pelos pacientes e consequente
melhoria da qualidade de vida dos mesmos, conforme mostrado acima.
O programa
"Cuide-se em Forma" foi esboçado a partir da tese de Doutorado de Alexandre Ramos Lazzarotto, que
foi o responsável pelos programas de
treinamento físico no GEP-AIDS. A iniciativa contempla basicamente dois grupos
de atividades:
I.
Programa de exercício físico assistido para pacientes HIV
positivos (portadores de AIDS e não portadores) onde a carga de exercício
físico prescrita é calculada individualmente. Neste caso, qualquer
interessado pode participar, bastando para inscrever-se apresentar atestado
médico do clínico responsável por seu tratamento assegurando condições para a
realização de exercícios físicos regularmente e tomar conhecimento acerca
da conduta ética a ser seguida e do termo de consentimento a ser por este
firmado.
II.
Programa de exercício físico para pacientes HIV positivos (doentes
e não doentes, como no caso I) que desejem participar do estudo
científico onde a carga viral plasmática, as contagens de células CD4+, CD3+ e
CD8+ e outros parâmetros, como o estado redox plasmático dos eritrócitos e
linfócitos circulantes e a expressão de HSP70 são utilizados para a base de
cálculo da carga e tipo de exercício físico a serem aplicados ao voluntário.
Está sendo realizado um estudo longitudinal (ao longo do tempo) com cada
paciente de forma a serem estabelecidas as condições médias para cada perfil de
indivíduo. Os resultados, além de servirem para o ajuste da melhor carga e tipo
de exercício para cada voluntário individualmente, estão servindo para ditar as
características do exercício ideal a ser prescrito também para os pacientes do
grupo I.
No caso da
pesquisa desenhada para os pacientes do Grupo II, basicamente, os interessados
são cadastrados no Programa “Cuide-se em Forma” e passam por uma
avaliação funcional (LAPEX), imunológica (LACEN) e bioquímica (FisCel). Após
tomarem conhecimento e assinarem termo de consentimento informado, os
voluntários participam, durante vários períodos de tempo, de um programa de
exercício físico específico. No final de cada período, os pacientes são
avaliados novamente. Crianças de comunidades carentes de Porto Alegre portadoras
de HIV/AIDS desde o nascimento estão também sendo beneficiadas pelo estudo.
Através deste trabalho, e, após aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética da
Secretaria de Saúde do Estado e assinatura de termos de consentimento pelos
responsáveis pelos menores, essas crianças (de 6 a 12 anos) estão sendo
tratadas, alimentadas e submetidas a programas de exercício físico específicos
na tentativa de se melhorar a produção de hormônio de crescimento (GH), que é
dramaticamente afetada pelo HIV. O vírus produz uma proteína, a glicoproteína
gp120, que “compete” com o GHRH pelo receptor hipofisário responsável pelo
disparo da secreção do hormônio (GH). Ou seja, o HIV impede que os sinais que
vêm do cérebro para ativar a produção de GH cheguem à glândula hipofisária
(pituitária). Como o exercício físico tende a incrementar a produção de GH, além
de produzir HSP70 que tende a bloquear a replicação viral e a melhorar a
resposta imunológica, espera-se que as crianças possam ter um desenvolvimento de
estatura e massa muscular mais adequado a suas respectivas faixas etárias
levando uma vida saudável.
Os resultados preliminares dos estudos
realizados com voluntários HIV/AIDS em tratamento com terapia antirretroviral
indicam que o programa de exercícios físicos controlados pode restabelecer a
sensação de bem-estar para o paciente além de ter reduzido dramaticamente o
estresse oxidativo sistêmico, uma característica marcante de doentes de AIDS. Na
verdade, o estado redox celular verificado em células sanguíneas destes
voluntários são idênticos aos encontrados em indivíduos normais.
Bioquimicamente, este dado é muito importante, pois sinaliza que a força
antioxidante hepática (glutationa) dos pacientes submetidos ao programa pode
estar aumentada, favorecendo a eliminação dos subprodutos da terapia
antirretroviral, o que diminui seus efeitos tóxicos. Além disso, os dados
mostram que 75% dos voluntários apresentam aumento nas contagens de células CD4+
com 12 semanas de treinamento.
O Programa
Nacional de DST e AIDS do Ministério da Saúde implantou uma Rede Nacional para
executar e interpretar testes de genotipagem, conhecida como Rede Nacional de
Genotipagem (RENAGENO). Esta rede de pesquisa tem como objetivo detectar a
ocorrência de resistência genotípica do HIV-1 aos antirretrovirais além
de selecionar a terapia de resgate mais adequada aos pacientes atendidos no
Sistema Único de Saúde (SUS). Nosso grupo está associado à RENAGENO através do
Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências
Biomédicas da USP. A genotipagem dos vírus encontrados em todos os pacientes
participantes do programa está sendo realizada sob a supervisão do
Prof. Edison Luiz Durigon, que recentemente passou a colaborar com o grupo.
No âmbito clínico da infecção pelo HIV, a consultoria é dada pelo
Prof. Eduardo Sprinz, do Curso de Pós-Graduação em Medicina da UFRGS e
responsável pelo Ambulatório de HIV/AIDS do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA).
Os resultados obtidos são analisados passo-a-passo em conjunto pelos membros da
equipe.
Participam
também da proposta o
GAPA/RS e o
Laboratório Weinmann, que realiza as análises de hemogramas dos pacientes.
Um dos próximos
passos do GEP-AIDS será a alocação de profissionais da área de Nutrição,
Psiquiatria, Psicologia e Serviço Social para trabalharem no programa, de forma
a dar-se suporte psicossocial e nutricional aos pacientes participantes. Devido
ao interesse que a proposta tem despertado na comunidade em geral, nossa equipe
está estudando a possibilidade de estender o programa à distância, já que
muitos interessados vivem fora do Rio Grande do Sul e poderiam ser beneficiados
pela proposta.
Para facilitar o
acesso da comunidade ao programa “Cuide-se em Forma” e permitir que o
andamento dos estudos seja acompanhado por todos, nosso grupo criou uma página
na Internet (www.ufrgs.br/fisiologia/fisiologiacelular/aids.htm).
Lá, os interessados podem obter informações sobre como participar do programa
(como paciente ou como colaborador), literatura especializada e
sites relacionados. Embora já esteja em funcionamento há mais de um ano, o
lançamento oficial do Programa “Cuide-se em Forma” deu-se no dia 1º de
dezembro, Dia Internacional da Luta contra AIDS, durante as atividades do 2º
Congresso Internacional de Treinamento Esportivo da Rede CENESP (Centro de
Eventos da FAURGS em Gramado-RS).
Maiores
informações podem ser obtidas no FisCel (tel/fax 51-33163151) do Departamento de
Fisiologia do ICBS, no Campus Central da UFRGS (Rua Sarmento Leite, 500 – CEP
90050-170 Porto Alegre-RS). O FisCel é um centro multidisciplinar de Pesquisa,
Ensino e Extensão. Embora suas atividades principais sejam voltadas à pesquisa
científica aplicada, como é o caso do
Projeto LipoCardium (tratamento de aterosclerose sem cirurgia), os
conhecimentos gerados são redirecionados para o Ensino de Graduação e
Pós-Graduação. Além disso, o Laboratório presta serviços à comunidade através de
duas atividades mistas de Extensão-Pesquisa que são o Programa
“Cuide-se em Forma” e o
ProICEM, uma parceria com a Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande
do Sul através da qual alunos da rede pública de Ensino Médio vêm à Universidade
para aprender a desenvolver seus próprios projetos de pesquisa científica. No
ProICEM, professores das escolas engajadas recebem nivelamento e treinamento
específico para atividades de pesquisa científica em todas as áreas do
conhecimento. Além das atividades com pacientes HIV positivos e doentes de
AIDS, o FisCel desenvolve pesquisa na área de doenças cardiovasculares e câncer.
Recentemente, o FisCel patenteou para a Universidade o LipoCardium, uma
formulação farmacêutica indicada para o tratamento de várias enfermidades
cardiovasculares. Em nosso site, podem ser encontradas dicas e informações
importantes sobre várias doenças crônico-degenerativas, além do andamento do
programa “Cuide-se em Forma”. Propostas de parcerias, críticas e
sugestões são muito bem-vindas.
Para finalizar,
gostaria de deixar claro que o Programa “Cuide-se em Forma” não visa à
formação de atletas profissionais. Estamos apenas falando de atividade física
moderada, regular e controlada. O ambiente de trabalho é agradável e nossos
profissionais são treinados para lidar com as várias facetas da doença. Por tudo
o que foi dito acima, vale a pena conferir.
Quero registrar
ainda meu mais sincero agradecimento às pessoas que têm tornado possível o
“Cuide-se em Forma”, a despeito de todas as dificuldades financeiras no
aporte de recursos à pesquisa. É que existem coisas que só se concretizam com a
teimosia e obstinação de certas pessoas. Por isso, quero reverenciar o Prof.
Adroaldo Cezar Gaya (coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências do
Movimento Humano da ESEF), o Prof. Jefferson Loss (Diretor do LAPEX-UFRGS), o
Prof. Alexandre Ramos Lazzarotto (FisCel e ESEF), o Prof. Edison Durigon (USP),
o Prof. Eduardo Sprinz (FAMED e HCPA), a Dra. Helena Rosek (Diretora do
IPB-LACEN da FEPPS), a Dra. Heloísa Sporleder (responsável pelo setor de CD4 da
Virologia do IPB-LACEN), a Dra. Zenaida Marion Vidal Alves (chefe do setor de
virologia do IPB LACEN) e os professores colaboradores da ESEF Alvaro Reischak
de Oliveira, Giovani Cunha e Luís Fernando Deresz. Nosso trabalho jamais teria
saído do papel não fosse o entusiasmo da Daiane da Rocha Janner,
Juliane da Silva Rossato, Bibiana Sgorla de Almeida, Martha Hädrick e Andréa
Kramer. Agradeço também a todos os meus queridos alunos de iniciação científica,
mestrado e doutorado que sempre colaboram, em particular ao Thiago Gomes Heck
que, agora, é responsável pelos estudos com animais experimentais e pela
transposição dos estudos de HSP70 de humanos para animais de experimentação,
além, é, claro, de minha querida Tatiana Gomes Rosa, que é minha assessora.
Prof. Paulo Ivo Homem de Bittencourt Júnior
Coordenador Geral do Programa

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Outras Informações |
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DIA 1º DE DEZEMBRO

INFORME-SE NO
DST-AIDS E PARTICIPE
Você também pode obter valiosas informações a respeito da infecção pelo HIV e
desenvolvimento da AIDS no site do Programa Nacional DST-AIDS do
Ministério da Saúde. Para ver este link, clique
aqui.

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